A tia Arli era aquela pessoa que não tinha momento, hora nem lugar ruim. Tudo estava bom e maravilhoso e, se não estivesse, ela soltava suas piadas desbocadas e animava qualquer ambiente. Eu me lembro da minha infância, de quando ela vinha me visitar e trazia aqueles vestidos de princesa, lindos e chiques. Além dos presentes, havia a sua presença, que era sempre o melhor de tudo. Quando a Maggie chegou, ela veio conhecer a família em Bambuí. A tia trouxe uma caixinha cheia de lacinhos, ficava me mostrando e trocando os laços da Maggie o tempo todo. Também me levava para passear, conversava comigo e, às vezes, me fazia raiva por ficar me zoando. Kkk Há três anos, ela se mudou para Bambuí, ficando mais perto de nós e de mim. Comecei indo à casa dela para conhecer os "netos" (os cachorros), mas logo passei a frequentar o lugar todos os dias, até me mudar para São Paulo. Morei na casa dela por um tempo e, por mais que eu tenha passado por diversas dificuldades, ela e minha madrinha nunca soltaram a minha mão. Sempre me ajudaram muito e foram minha rede de apoio, mesmo a 570 km de distância. Com o tempo, voltei para Bambuí para passear e acabei ficando. A saudade era grande demais. Como sempre fez, tia Arli me "adotou" novamente, e eu passei a ir todos os dias à casa dela, sem falta. Eu dormia lá, comia aquela comida deliciosa, brincava, jogávamos caça-palavras, tirávamos o "soninho da beleza", como ela sempre dizia, ouvíamos música enquanto eu fazia massagem nela, comíamos besteiras e tomávamos MUITO milk-shake. O dela era sempre de flocos, e o meu, de Nutella. Mesmo tendo passado pouco tempo, já sinto falta da comida dela. Algumas das minhas favoritas eram: cupim, pão recheado, pizza, arroz soltinho com aquele feijão carioca suuuper cremoso, bem temperado e nada aguado, viu? Também tinha as carnes veganas para o Juju, os estrogonofes e, principalmente, o leite com mingau hiper mega doce que ela amava. E ainda tinha a coragem de dizer que não gostava de doce! kkkkk
Em 2026, começamos um novo hobby: caça-palavras e CodyCross. Em cinco minutos terminávamos uma página de caça-palavras. Já o CodyCross, um jogo de perguntas e respostas com curiosidades e conhecimentos gerais, ela sempre resolvia com facilidade. Eu era apenas a aprendiz dela. Kkk Nos finais de semana, a tia sempre saía da "dieta". Comprava pizza de frango com catupiry e de calabresa, sanduíches de cream cheese e milk-shake. Era um dia para cada coisa. Sem contar o estrogonofe de carne e os churrasquinhos que ela tanto amava. Quando ela precisava ir ao médico, eu era sua acompanhante. Ficávamos conversando, fazendo brincadeiras, julgando as pessoas de leve e planejando o que iríamos comer quando chegássemos em casa. E os dias de mercado com ela eram pura diversão: passávamos horas esperando ela decidir qual arroz levar e quais bolachas escolher.
No momento em que descobri a chegada do câncer, meu mundo paralisou. Como assim a minha tia estava com câncer, sendo que poucos dias antes ela estava tão feliz em sua viagem? Foi muito difícil para todos nós. Mas vê-la agora livre do sofrimento e ao lado do filho traz um pouco de alívio ao coração. A tia sempre foi muito guerreira. Nunca se vitimizou diante das dificuldades da vida e raramente reclamava. Lutou bravamente em busca da sua cura, mesmo que ela não tenha sido possível. Tenho muito orgulho de ser sobrinha de uma mulher tão forte, determinada e batalhadora. Sinto e sentirei para sempre a falta dela. Da nossa companheira de fofocas, risadas, piadas, conselhos e broncas. Mas, acima de tudo, sentirei falta do amor imenso que ela distribuía a todos ao seu redor. Te amo para sempre, tia Arli.
Sinto e sentirei para sempre a falta dela. Te amo para sempre, tia Arli.